As evidências de fontes historicamente mais seguras, sugerem que essa instituição tenha cerca de 4.350 anos de idade.

A maioria dos antropólogos acredita que, antes do surgimento do casamento, durante milhares de anos as famílias foram grupos pessimamente organizados de aproximadamente 30 pessoas, com vários líderes homens, várias mulheres compartilhadas por eles e muitos filhos (muitos mesmo). Imagine só a confusão!

Quando esses grupos se transformaram em civilizações agrárias, a sociedade teve necessidade de se organizar em sistemas mais estáveis.

A primeira evidência registrada de uma cerimônia de casamento, data de cerca de 2350 a.C., na Mesopotâmia.

Ao longo das centenas de anos seguintes, o casamento evoluiu para uma instituição amplamente adotada pelos antigos hebreus, gregos e romanos.

Naquela época, o casamento tinha pouco a ver com amor ou religião: seu objetivo era ligar as mulheres aos homens e garantir que seus filhos fossem herdeiros biológicos legítimos.

Através do casamento, a mulher se tornou propriedade do homem. Na cerimônia de noivado da Grécia antiga, um pai entregava sua filha com as seguintes palavras: “Prometo minha filha com o propósito de produzir descendência legítima”.

Entre os antigos hebreus, os homens podiam ter várias esposas; gregos e romanos casados eram livres para satisfazer seus desejos sexuais com concubinas, prostitutas e até amantes adolescentes do sexo masculino. As suas esposas cuidavam da casa e se deixassem de produzir filhos, seus maridos poderiam devolvê-las e se casarem com outra pessoa.

Que fofo, não?

Então a religião entrou em cena. A Igreja Católica Romana se tornou uma instituição poderosa na Europa e as bênçãos de um padre eram necessárias para que o casamento fosse legalmente reconhecido. Por volta do século VIII, o casamento era amplamente aceito na Igreja Católica como um sacramento ou uma cerimônia para conceder a graça de Deus. No Concílio de Trento em 1563, a natureza sacramental do casamento foi inscrita na lei canônica.

As bênçãos da Igreja melhoraram um pouco a situação das esposas. Os homens precisavam demonstrar mais respeito a elas e o divórcio/abandono foi proibido.

A doutrina cristã declarou que "os dois são uma só carne", dando ao marido e à esposa acesso exclusivo um ao corpo do outro. Isso pressionou os homens a permanecerem sexualmente fiéis... Mas a igreja ainda os sustentava no posto de chefes das famílias, com suas esposas atendendo aos seus desejos.

Durante grande parte da história da humanidade, os casais foram unidos por razões práticas e políticas, e não porque se apaixonaram.

É óbvio que, com o tempo, muitos cônjuges começaram a sentir profundo carinho e devoção um pelo outro, mas a ideia do amor romântico - como força motivadora para o casamento - só aparece na Idade Média.

Muitos estudiosos acreditam que o conceito foi “inventado” pelos franceses. Seu modelo era o cavaleiro que sentia intenso amor pela esposa de outra pessoa, como no caso de Sir Lancelot e da esposa do Rei Arthur, a Rainha Guinevere. A literatura de conselhos do século XII (autoajuda daqueles tempos), dizia aos homens que cortejassem o objeto de seu desejo elogiando seus olhos, cabelos e lábios. No século XIII, Richard de Fournival, médico do rei da França, escreveu "Conselhos sobre o amor”, no qual ele sugeria que uma mulher lançasse olhares de flerte para o seu amor - "tudo menos um pedido franco e aberto".

Marilyn Yalom, historiadora de Stanford e autora do livro A History of the Wife (ainda não traduzido por aqui), atribui ao conceito de amor romântico uma maior vantagem das mulheres no que ao longo do tempo havia sido apenas uma transação pragmática. As esposas não existiam mais apenas para servir aos homens. O príncipe romântico buscava servir à mulher que amava.

Ainda assim, a noção de que o marido “possuía” a esposa continuou a prevalecer por séculos. Quando os colonos chegaram pela primeira vez ao continente americano - em uma época em que a poligamia ainda era aceita na maioria das partes do mundo - o domínio do marido foi oficialmente reconhecido sob uma doutrina legal, segundo a qual a identidade da nova noiva era absorvida por ele.

A noiva desistia de seu nome para simbolizar a renúncia à sua identidade. O marido se tornava o representante público oficial do casal.

Quando as mulheres conquistaram o direito ao voto, a instituição do casamento começou a passar por uma enorme transformação. Cada união contava com dois cidadãos plenos, embora a tradição ditasse que o marido ainda governava a casa.

Os registros históricos dos primeiros casamentos entre pessoas dos mesmo sexo são raros, porém é possível recuperar alguns fragmentos. O imperador romano Nero, que governou de 54 a 68 d.C., casou-se duas vezes com homens em cerimônias formais e forçou a Corte Imperial a tratá-los como suas esposas.

Na Roma dos séculos II e III, os casamentos homossexuais passaram a ser comuns o suficiente para preocupar o comentarista social Juvenal, diz Marilyn Yalom em A History of the Wife: “Olha, um homem de família e fortuna, sendo casado com um homem!” Escreveu Juvenal. “Essas coisas, antes de ficarmos muito mais velhos, serão feitas em público.” Ele zombou dessas uniões, dizendo que as “noivas” do sexo masculino nunca seriam capazes de “segurar seus maridos tendo um bebê”.

Os romanos baniram formalmente os casamentos entre homens no ano de 342, mas o professor de história de Yale, John Boswell, diz que encontrou evidências esparsas de uniões homossexuais depois daquela época, incluindo algumas que foram reconhecidas por igrejas católicas e ortodoxas gregas. Em uma dessas cerimônias no século XIII, a “Ordem para a solenidade da união do mesmo sexo”, o celebrante pediu a Deus que concedesse aos participantes “a graça de amar uns aos outros, que não fossem odiados e nem causa de escândalo todos os dias de suas vidas, com a ajuda da Santa Mãe de Deus e de todos os seus santos”.

Apesar desse panorama histórico um tanto denso, estamos construindo na atualidade um caminho mais leve, com casais se unindo por amor e celebrando com alegria a união de suas famílias.

Felizmente, na maioria dos países, hoje é possível se casar como e com quem você quiser. “A ideia de que o casamento é uma relação privada para a realização de dois indivíduos é realmente muito nova”, disse a historiadora Stephanie Coontz. “Nos últimos 40 anos, o casamento mudou mais do que nos últimos 5.000”, afirma. E quem será que inventou que precisamos de uma roupa específica para esse dia? Pois é... Vamos agora ao vestido de noiva.

Antes de abordar o tópico vestuário, gostaria de sugerir humildemente algumas reflexões:

Você acredita estar preparada para investir emocionalmente na celebração dessa união?

Está disposta a despender tempo e dedicação na construção de uma família de duas ou mais pessoas e no rito que simboliza essa intenção?

Admira os valores dessa pessoa? Consegue ficar confortável em silêncio, fazendo nada ao lado dela?

Está celebrando esse momento porque quer ou por que os outros querem/fazem/pressionam você?

Se você não pudesse compartilhar absolutamente nada em relação ao seu casamento nas redes sociais, você faria exatamente as mesmas escolhas?

Se é de sua livre e espontânea vontade embarcar nessa grande aventura (sim - o casamento - da celebração ao dia a dia é uma grande e deliciosa aventura) vamos começar pelo começo: o motivo pelo qual estamos aqui.

Nada é mais subversivo, libertador e surpreendente do que uma noiva vestida de si mesma. Os convidados não estão preparados para isso. Todos esperam a fantasia, o vestido igual ao da fulana atriz/modelo, a transformação do “dia de princesa”.

Quando aparece uma mulher vestida com algo que é realmente a cara dela (independente do estilo) os queixos caem. É uma visão inesquecível... Mas não é fácil traduzir a essência de uma mulher em uma roupa.

A jornada percorre um caminho de autoconhecimento, de aceitação, de libertação e de amor próprio.

Só é possível pisar nessa estrada, se você está se vestindo para a celebração de um amor único, e não para atender às expectativas de outras pessoas (que são muitas e variadas).

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